De ponto a ponto, de linha a linha, Maude Jules, 33 anos, vai escrevendo a sua história no Brasil. Refugiada, ela deixou a sua vida no Haiti, para ter mais condições de sustentar os dois filhos. E assim começa a sua ligação com o mercado da moda, pois a haitiana é uma das artesãs da equipe da Volta Atelier, marca de bolsas produzidas com restos de indústrias e que apresenta suas peças na New York Fashion Week (NYFW), em Nova York.

Maude conta que era comerciante e que passava muita dificuldade no Haiti, pois faltava emprego para as mulheres e quase não conseguia comprar o necessário para ela e os dois filhos. “Lá eu era dependente da minha família, quando faltava alguma coisa, tinha que pedir para eles”, acrescenta.

A refugiada veio para o Brasil em 2013, mas foi em 2017 que conheceu o projeto da Volta Atelier, aprendeu a costurar e começou a trabalhar na confecção das bolsas. “Aqui conquistei minha independência, hoje não falta mais nada”, conta. A marca é da designer Fernanda Daudt, que focou o produto, inicialmente, nos Estados Unidos.

Hoje todas as bolsas são produzidas no Brasil e vendidas em 20 lojas multimarcas dos Estados Unidos, além do e-commerce www.amazon.com.br. A marca tem um lado social muito forte, pois além de contratar refugiadas, também utiliza só material sustentável nas peças. “São tudo sobra de indústrias e desenvolvo a coleção a partir do material que tenho em mãos”, ressalta Fernanda Daudt.

Na última edição da NYFW, em fevereiro, a marca da designer brasileira desfilou duas coleções – uma junto com a Not Aligne e, outra, com a Monzlapur, pela Flying Solo, multimarcas que reúne mais de 60 estilistas. As peças mostraram texturas em couro que simulam escamas de peixes e um mix de contas plásticas. As bolsas peitorais, chamadas chest bags, também apareceram na passarela.

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