A nova coleção da Coven tem como inspiração o Vale do Jequitinhonha. A diretora criativa da marca, Liliane Rebehy, ao chegar no Vale se deparou com a preciosidade dos trabalhos das bordadeiras e das tecelãs. Em um processo ainda artesanal, as mulheres espelham a cadência de suas vidas em cada ponto, em cada fio, na coletividade do ofício. É a partir dessa transmissão do que sabem que a Coven apresenta uma visão particular dessa terra farta de paisagem inacabável

Observar a confecção de colchas no tear manual – instrumentos simples, mas de resultado impecável – guiou a criação na elaboração de listras, cores matizadas por fios em mesclas e texturas. Desse processo, a coleção se pinta com tonalidades próprias do Vale, em cores como o cajá, o sertão e pedra. A sobriedade do off, do preto e da cerâmica contrapõe-se à vibração dos neons tijolo e vereda, em uma retratação aliteral do Jequitinhonha.

A estamparia conta com o olhar de Diogo, filho de uma das bordadeiras. O trabalho do desenhista, anteriormente preenchido pelos pontos cheios, agora também se apresenta em tricôs de cashmere e vórtex. Ele é nascido no Vale e tem um olhar genuíno, que transporta para as roupas figuras bucólicas, como árvores e o burro, que se juntam às mulheres e contam sobre aquela região. T-shirts recebem as estampas e camisas de tricoline recebem bordados feitos por quem é próprio do Jequitinhonha. Essas peças, executadas por meio de uma parceria firmada com as bordadeiras, converterão fundos e reconhecimento ao ofício das profissionais.

O tricô, ponto forte da marca, se junta a tecidos planos e malhas cuidadosamente trabalhadas. A sarja, em shapes amplos, leva os pespontos em linhas sertão e café, alguns acabamentos também se utilizam do tricô mescla. O nylon olho de perdiz se diferencia pela textura que remete às colchas das tecelãs. Complementando a viscose acetinada e o nylon de algodão, cintos com fivelas em madeira imbuia trazem para as peças a peculiaridade do Vale. Esse material também adorna o sapato em couro, estruturando-o com o salto. Por fim, as bolsas, feitas em parceria com a Adô, levam as colchas na confecção, em uma coleção repleta de história, de topografia e de vivência que não se vai.

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