A pandemia afetou todos os setores da sociedade e com o mercado da moda, não foi diferente. Segundo dados da Inteligência de Mercado (IEME), em abril de 2020 o Brasil teve uma queda de 90% na produção de vestuário. Outra pesquisa realizada com 58 empresas do setor têxtil pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), revela uma redução de mais de 50% nos pedidos.

Com eventos cancelados ou remarcados, o segmento da alta costura também sentiu o impacto da pandemia. Para entender melhor como o setor vem se reinventando e enfrentando este período, conversamos com o estilista Salvatore Laureano, que já cria vestidos exclusivos para grandes artistas e socialites.

Em meio à pandemia, o que está chegando de tendência no mercado da moda?

Salvatore Laureano: A pandemia mudou o código mundial em se vestir. A tendência que veio para ficar é a COMFY, ou seja, CONFORTÁVEL. Moletons mais sofisticados, pijamas exclusivos com cara de conjuntos para sair no dia a dia, estamparias mais sofisticadas.

Como as pessoas estão buscando se atualizar das tendências, já que não estão mais ocorrendo os grandes eventos de moda?

Dentro de todo este conceito, as palavras da ordem do dia são SUSTENTABILIDADE dos tecidos e inclusões sociais dentro das coleções, o que antes era FAST FASHION, agora virou SLOW FASHION, ou seja, a não necessidade de termos novas coleções, e sim looks e roupas de maior durabilidade! Portanto, as tendências estão dentro de uma resenha de maior uso possível e não mais um must a cada estação!

Como você trabalha com alta costura, de que modo vem enfrentando a pandemia?

Dentro do meu nicho, ou seja, a alta costura, demos um tempo em 2020 pela própria pandemia! A maioria das noivas transferiu seus casamentos para 2021, até para 2022! As que tinham realmente que se casar em 2020, readequaram uma festa de 200 ou menos pessoas para uma cerimônia religiosa com os pais presenciais no altar e os padrinhos virtuais, usando seus respectivos vestidos. Detalhe, todos de máscaras.

Quais foram as principais medidas que você encontrou para passar por este período?  E qual foi a maior dificuldade que você encontrou para superá-lo?

Reduzir bruscamente tudo, terceirizações totais e uso de linhas de crédito para as micro empresas e DEUS no comando!

Como está o mercado da alta costura atualmente? Como você enxerga o setor no pós-pandemia?

A alta costura teve que se transformar em Prêt-à-porter, ou seja, manter a qualidade de um corte e modelagem, DNA da SL, mas com tecidos alternativos e de um custo menor (mantendo o touch e caída, digamos de uma seda ou de uma ZIBELINE, antes de seda pura, agora de seda mista) e, consequente, custo final também menor. O mercado atual está devagar, mas como dizem, “vida que segue”. Os casamentos, aniversários, comemorações não deixarão de existir, porém readequados no quesito segurança e menores (reduzido número de pessoas) e mais adequados, como em espaços abertos etc.

Em 2021, ainda em pandemia, quais são seus planos? Está mais esperançoso?

Em 2021, iniciamos um ano com o horizonte fechado, como uma tempestade se formando, mas com a esperança que venha um vendaval (que pode ser essa vacina?!?!) e dissipe esse horizonte e torne o céu azul e com um sol brilhando novamente, sim estou muito esperançoso e que venha novamente, agora uma quase normalidade em nossas vidas! E orando diariamente por todas as pessoas que se foram e suas famílias, que tenham o conforto do absoluto DEUS! Nossa nave é uma só, a TERRA, se todos orarmos, sairemos dessa.

 

 

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