Ela tem apenas 20 anos, estuda Moda em Ribeirão Preto no Centro Universitário Moura Lacerda. Estamos falando de Beatriz Andrade, jovem que já tem o seu atelier, onde coloca em prática toda a sua criação em handmade, que são essas bolsas de crochê, mas com um acabamento impecável e sustentável.

Juliana Rangel – Como que surgiu essa ideia do handmade? 

Beatriz Andrade – Como estudante de moda e vegetariana há sete anos, sempre quis trabalhar de modo sustentável e consciente, porém não sabia como. Foi quando comecei a vender minhas peças de modo inesperado: sempre confeccionei as peças para meu uso próprio e as pessoas começaram a me pedir e vi que já estava com a minha marca, trabalhando com esse conceito tão especial e importante.

Quais são as referências na hora da criação das bolsas de crochê? Você se inspira em algo para criar as peças novas? 

Quando vou criar, gosto de sempre ter um olhar diferente para a peça: seja no conceito, no material ou mesmo como referência. Sempre me inspiro nos bordados e detalhes rebuscados de Dolce&Gabbana, Gucci e também gosto a cada coleção, me inspirar em algo novo e diferente.

Qual é a maior dificuldade para pensar nas peças?

Minha maior dificuldade são os materiais que uso, geralmente são difíceis de encontrar e isso faz com que minhas peças sejam quase que exclusivas.

Já aconteceu de você criar algo e no final não sair como planejado? 

Várias vezes! Como meu trabalho é artesanal, feito todo à mão, cada peça é realmente única e os materiais, muitas vezes, não são sempre exatamente iguais uns aos outros.

O que te motivou a ir para este universo da moda? Família, amigos ou partiu de você mesma?

Sempre amei moda, desde pequena já pensava que iria seguir por esse caminho. Claro que minha família sempre me apoiou mas sempre a motivação maior foi a minha.

Quanto tempo, em média, você demora para produzir uma peça? 

Depende da peça, já cheguei a fazer uma peça de roupa em quinze dias e uma bolsa em apenas um. Depende da peça e do material, tem material que é mais maleável e acaba facilitando meu trabalho.

O que você acha do mercado de moda aqui de Ribeirão Preto?  

Em Ribeirão Preto, na área de moda, encontramos uma certa dificuldade. Há uma falta de trabalho genuinamente de criação, na qual não encontramos uma certa identidade nova no cenário da moda. Ribeirão Preto, por mais que seja uma cidade grande e desenvolvida, ainda estamos no interior e há uma certa barreira de conservadorismo.

Como você enxerga a moda hoje em dia? 

Eu acredito que hoje em dia a moda não é mais a mesma. Não é mais aquela que causou glamour nos anos 90 e nem aquela que inovou a imagem feminina no pós-guerra. A moda, atualmente, passa por muitas mudanças, assim como nós e o mundo. Mudanças na forma de se fazer moda, seja no modo de produção e de se identificar com o que é realmente moda. A moda, hoje, nos faz causar glamour com o que realmente somos, com esta nova democratização a beleza, nos libertando de padrões abrangentes e a filosofia de vida de cada um, seja um vegano adepto ao movimento de slow fashion ou uma blogueira imediatista na Forever 21 toda semana.

Com quantos anos você começou a se apaixonar pelo que faz hoje?

Faço crochê desde de muito nova, fazia roupinhas das minhas bonecas de crochet e sempre fui muito apaixonada por esse trabalho manual.

Quais são as experiências mais marcantes da sua trajetória, desde que começou a trabalhar com moda ? 

Foram várias. Desde da palestra que tivemos na faculdade com o estilista João Pimenta que disse que devemos procurar a criatividade e “a nossa moda” dentro de nós, que é onde encontra-se a nossa verdadeira essência e capacidade de criar o inusitado. Até a minha primeira ida ao São Paulo Fashion Week, que pra mim foi quase que uma realização de um sonho, desde de pequena acompanhando na televisão e na internet, quando me vi estava lá de verdade e foi uma experiência incrível. Também, com meus aprendizados diários, seja com os meus professores incríveis e até com as pessoas que tentam nos desviar do nosso sonho.

Você aprendeu a fazer crochê sozinha ou alguém te ensinou?

Na minha família, todas nós fazemos crochê. Eu aprendi com a minha mãe e ela aprendeu com a minha avó, foi passado de geração a geração.

Como você enxerga o mercado artesanal?

Eu acredito que é um mercado em crescimento.

No seu IG fala que você faz entrega para qualquer lugar do mundo. Qual foi o lugar mais distante ou diferente que você já enviou alguma peça sua?

Foi pra Itália, onde tenho bons amigos e foi diferente para mim que estava acostumada a vender só por aqui, no Brasil.

 

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